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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dificuldade de alterar a imagem de si

Criar um estilo é inventar algo que não existia no contexto da minha vida. Essa dieta é nova. Apesar de eu ter feito inúmeras outras ela é diferente por que eu a assumi como invenção minha: compor um cardápio e uma forma de comer excluindo alguns alimentos que produzem alergias. Gostei da invenção, o primeiro mês foram só alegrias e conquistas, mas no segundo dispontaram novamente os inimigos derrotados nas primeiras batalhas.
A ansiedade, agora diante dos alimentos proibidos que aparecem sob a forma da imaginação gustativa antiga: o sabor dos queijos, sua textura, seus diferentes formas são os maiores vilões.
Atacam a minha imaginação e me devoram até que eu os devore. É uma batalha, e foi ganha por eles. Acabei comendo um pouquinho, de um cream chease, me senti culpada. A culpa foi a minha primeira derrota, responsável por aumentar os ataques de ansiedade. Depois vieram outras oportunidades: deliciosos sanduíches de presunto e queijo, bem macios e úmidos, em reuniões de trabalho, em dias de muita correria. Implantava-se novamente o conhecido e temido círculo vicioso.
Qual a saída para esse conflito, como retomar o circulo virtuoso?
Em primeiro lugar, decidi que não iria abandonar a guerra.
Em segundo lugar, lembrei de um conselho de minha nutricionista: realizar um novo exame de alergia para examinar se já estou dessensibilizada em relação a esses alimentos.
Em terceiro lugar, resolvi experimentar sem culpa, o queijo que atormentava a minha imaginação: comprei logo 200 gr de um queijo duro, bem amarelo, com bastante sabor. Um queijo holandês, the old dutch.
Fiz uma refeição de queijo com vinho. Descobri que ainda tenho alguma reação alérgia. Tive machas vermelhas na pele.
Em quarto lugar, providenciei refeições mais leves, líquidas e com bastante canela e gengibre com a finalidade de desinflamar os edemas provocados pela reação alérgica.

E... vamos indo em frente, traçando o caminho que nos levará a ganhar a guerra, lá na frente

quarta-feira, 12 de maio de 2010

diferença e ansiedade: do círculo vicioso ao círculo virtuoso

Pois é... a compulsão é terrível mesmo, como comentou a Ana. E não é sem vergonhice ou qualquer outra qualidade que denote pouca força moral. 


Mas há muitas coisas que nos levam a compulsão além de alguns alimentos que nos fazem mal.... a primeira delas é não aceitarmos que somos diferentes... e aí não nos defendemos das situações em que nossa diferença pesa. Entramos no círculo vicioso, diante da diferença sentimos culpa, que nos deixa ansiosos e queremos afundar na compulsão... depois vem novamente a culpa e aí ...
Exemplo: no dia das mães sucumbi ao sorvete da sobremesa. Isso pesou no meu estomago, muito mais do que os 400 gr. de peito de frango que havia comido. Mas não me preparei antes. Não havia algo análogo ao sorvete a que poderia recorrer, por exemplo, o creme de soja ou um chocolate de soja. 
Mas o pior foi que não queria ser diferente, me deu raiva de não poder fazer o que todos fazem!!!! Fiquei ansiosa e esqueci que tinha uma muleta: a passiflora. 
Tive que experimentar o fracasso de sair do regime... para novamente reforçar a minha crença de que há alimentos que fazem mal. Desta vez, aprendi algo mais. A minha auto-imagem positiva está associada a coerência com a minha proposta, com o cuidado que posso ter de mim, que não cabe a ninguém mais além de mim. 


Hoje, dia 12 de maio tive uma experiência positiva. 
Não sucumbi à tentação das ofertas que me fazem mal e que estão disponíveis em uma mesa no meu trabalho. 
Levei lanche, almocei bem, e não me furtei a sair com uma amiga para ir a um café. Tinha fome, acabei jantando. Comi muito bem, dentro do que podia: peito de frango, arroz preto e legumes. 


Vou descobrindo que o arroz e o feijão devem realmente estar presentes na dieta. 
Vou investir neles, especialmente o arroz preto e o arroz vermelho que são novidades e me parecem ficar muito bem com canela. 


O círculo virtuoso talvez seja: aceitar a diferença, ter tranquilidade para agir de acordo com a diferença, satisfazer-se com a ação realizada e ficar contente por ter cuidado de si mesmo, o que nos leva a aceitar a diferença e assim por diante.


E isso só acontece com muito esforço, é como se precisamos de ir exercitando para fortalecer uma musculatura moral e uma imagem de nós mesmos independente de qualquer opinião.





quinta-feira, 29 de abril de 2010

Outro segredo: conhecer cada vez melhor o inimigo e se preparar para a guerra

Claro que nenhuma guerra pode ser ganha apenas com os prazeres dos sentidos: visão, paladar, olfato e tato; temperados com o tempero da curiosidade pelo diferente.
São armas importantes, mas são apenas armas.

O inimigo: a obesidade.
Sua natureza: síndrome metabólica pouco conhecida, de causa ignorada. Fator de preocupação da OMC.
Camuflagem da obsidade: a insegurança proveniente da sensação de impotência, incapacidade e, o que pior, de culpa.

Na guerra qualquer estratégia está fundamentada no reconhecimento do campo do inimigo, ou seja o alvo.

Para atingir e detonar a culpa:
Acreditar que é preciso se defender,  que todos o merecem  e que ninguém tem culpa da própria besidade. (Ouvi isso, pela primeira vez, de um médico e quase chorei. Nunca tinha pensado nisso. Nunca tinha pensando que tinha direito de tomar providências, por que a culpa me condenava de antemão, e todas as vezes que tomei providência, acreditei que eu seria salva por alguma mágica).

Reconhcer que uma das formas da obsidade se instalar e ficar é o círculo vicioso entre culpa, ansiedade e compulsão.

O que fazer diante de uma síndrome metabólica?
Utilizar os recursos provenientes dos conhecimentos sobre isso, além da própria sensibilidade. Só é possível se não sentirmos culpa e, portanto, reconhecermos que somos frágeis diante da dita síndrome e que temos direito a ajuda e a conhecer mais e mais sobre o assunto e sobre nosso comportamento.

Os conhecimentos teóricos sobre isso, até onde eu sei, estão ligados à nutrologia e aos testes já confiáveis sobre a reação alérgica provocada por vários alimentos. Lembro-me de ter ouvido um tio meu, também obeso, contar sobre a existência de alguns testes que começavam a ser realizados nos Estados Unidos para detectar se o indivíduo tinha alguma reação ao milho ou a farinha que favorecesse o ganho de peso. Isso foi há uns 23 anos atrás. O teste que eu fiz, em 2005, cobria mais ou menos 50 alimentos.

E isso é só o começo. É reconhecer que a guerra está instalada. Mas e, como vencê-la?

Em primeiro lugar:  atacar o círculo vicioso culpa - ansiedade - compulsão.

Comecei pela compulsão: investi no suco de limão em jejum antes do café da manhã e nos caldinhos. Era pouco, ainda. A compulsão diminuia, mas o medo da recaída era imenso. Não queria ver outras comidas, nem imaginava que seria possível comer fora da minha casa... Estava pronta a próxima derrota.

Investi no anseolítico fitoterápico para atacar a ansiedade: extrato de passiflora. (primeiro todos os dias, agora só quando preciso sair de casa e vou encontrar alguma situação propícia para eu abandor minhas novas regras, ou estilo).  Venci a batalha, todas as vezes que o inimigo apareceu.(Quando for derrotada, ser for. prometo contar também).

Investi em um alimento que anula a compulsão: a canela. (Irei investigar por que isso ocorre)
Daí as várias receitas com canela que tenho tentado criar. Não tenho deixado  espaço para culpa.

Por enquanto é isso.